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Dicionário

Dicionário fiscal e contabilístico

Definições originais de conceitos fiscais, contabilísticos e de gestão, em linguagem clara.

Amortização
Amortização: a repartição do custo de um ativo intangível pelos períodos em que gera benefícios.
Explicação técnica

Aplica-se a ativos sem existência física, como software, licenças ou direitos. É um gasto sem saída imediata de dinheiro, mas com efeito no resultado e, em regra, fiscalmente aceite dentro dos limites legais.

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Ativo
Ativo: o conjunto de recursos controlados pela empresa dos quais se esperam benefícios económicos futuros.
Explicação técnica

Divide-se em corrente (inventários, clientes, caixa) e não corrente (imobilizações). Um ativo só é reconhecido quando o benefício futuro é provável e o valor pode ser mensurado com fiabilidade.

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Autoliquidação
Autoliquidação: situação em que o destinatário da operação, e não o prestador, é responsável por liquidar e entregar o imposto.
Explicação técnica

Verifica-se em operações específicas previstas na lei, designadamente na construção civil e em certas prestações de serviços intracomunitárias. Exige controlo rigoroso da documentação e do momento do imposto.

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CAE
Código de Atividade Económica: código que identifica a atividade principal e as atividades secundárias de uma empresa.
Explicação técnica

O CAE condiciona enquadramentos fiscais, licenciamentos e obrigações específicas. Deve corresponder à atividade efetivamente exercida e ser atualizado quando a atividade se altera.

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Capital próprio
Capital próprio: a diferença entre o ativo e o passivo, ou seja, o valor que pertence aos sócios.
Explicação técnica

Integra o capital social, reservas, resultados transitados e o resultado do período. Quando é negativo, o passivo excede o ativo e existem deveres societários de análise a cumprir.

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Depreciação
Depreciação: a repartição do custo de um ativo corpóreo ao longo da sua vida útil.
Explicação técnica

Aplica-se a edifícios, equipamentos, viaturas e mobiliário. As taxas fiscais de depreciação são fixadas na lei, podendo existir diferenças entre a depreciação contabilística e a aceite fiscalmente.

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Derrama
Derrama: adicional ao IRC, calculado sobre o lucro tributável.
Explicação técnica

Tem componente municipal, aplicada pela câmara municipal do local da sede, e componente estadual, aplicável a partir de determinados níveis de lucro tributável. As taxas são fixadas anualmente.

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Diferimento
Diferimento: o reconhecimento de um rendimento ou gasto no período a que economicamente respeita, e não no período em que é recebido ou pago.
Explicação técnica

Decorre do princípio da especialização (acréscimo). É o que permite que o resultado de um período reflita a atividade desse período, mesmo quando os fluxos de caixa ocorrem noutro momento.

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EBITDA
Resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações: uma medida do resultado operacional da empresa.
Explicação técnica

Procura isolar o desempenho da atividade das decisões de financiamento, de fiscalidade e de política de amortização. É indicador de gestão, não um conceito fiscal, e não substitui o resultado líquido.

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IES
Informação Empresarial Simplificada: declaração anual que reúne a prestação de contas da empresa e várias comunicações a entidades públicas.
Explicação técnica

Substitui a entrega separada de informação a diferentes entidades, agregando elementos contabilísticos, fiscais e estatísticos. Deve ser coerente com a contabilidade e com a declaração de rendimentos do período.

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IRC
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas: o imposto que incide sobre o lucro das sociedades e outras entidades.
Explicação técnica

Parte do resultado contabilístico e, depois das correções fiscais previstas na lei, apura o lucro tributável ao qual se aplica a taxa. Podem acrescer derrama municipal e estadual.

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IRS
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares: o imposto que incide sobre os rendimentos obtidos por pessoas singulares.
Explicação técnica

A tributação depende da residência fiscal: um residente é tributado pelos rendimentos de fonte portuguesa e estrangeira; um não residente, em regra, apenas pelos de fonte portuguesa, sem prejuízo das convenções aplicáveis. A declaração é a Modelo 3, com anexos por categoria de rendimento.

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IVA
Imposto sobre o Valor Acrescentado: imposto indireto que incide sobre o consumo de bens e serviços, liquidado em cada transmissão e entregue ao Estado pelos sujeitos passivos.
Explicação técnica

A empresa liquida IVA aos clientes, deduz o IVA suportado nas aquisições e entrega a diferença ao Estado através da declaração periódica, mensal ou trimestral. As taxas variam por região e por tipo de bem ou serviço.

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Inventário
Inventário: o registo e a contagem dos bens existentes numa determinada data, valorizados segundo as normas contabilísticas.
Explicação técnica

O inventário final é essencial ao cálculo do custo das mercadorias vendidas e à fiabilidade da margem. Um inventário mal contado distorce o resultado de todo o período.

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Lucro tributável
Lucro tributável: o resultado do período depois das correções fiscais, sobre o qual incide o IRC.
Explicação técnica

Obtém-se a partir do resultado contabilístico, acrescendo gastos não aceites e deduzindo rendimentos não tributados, benefícios fiscais e prejuízos dedutíveis, nos termos e limites da lei.

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Margem bruta
Margem bruta: a diferença entre as vendas e o custo das mercadorias vendidas, expressa em percentagem das vendas.
Explicação técnica

Mede o valor gerado antes dos custos de estrutura. Não inclui custos fixos, pelo que uma margem bruta elevada não garante lucro.

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Margem líquida
Margem líquida: o resultado líquido do período expresso em percentagem das vendas.
Explicação técnica

É o que resta depois de custos operacionais, financiamento e impostos. Compara-se com a margem bruta para perceber o peso da estrutura e do financiamento.

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Matéria coletável
Matéria coletável: o valor sobre o qual se aplica a taxa do imposto, antes de deduções à coleta.
Explicação técnica

Pode diferir do lucro tributável quando existem deduções específicas previstas na lei. É o valor que determina a taxa aplicável em impostos com escalões.

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Modelo 22
Declaração anual de rendimentos das empresas sujeitas a IRC, onde se apura o imposto do período.
Explicação técnica

É entregue com os anexos aplicáveis e deve refletir as correções fiscais ao resultado contabilístico. A declaração e a IES têm de ser coerentes entre si.

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Modelo 30
Declaração de rendimentos utilizada em determinadas situações por contribuintes não residentes.
Explicação técnica

Aplica-se a rendimentos de fonte portuguesa obtidos por não residentes, designadamente em operações com enquadramento internacional. A obrigação de declarar depende do tipo de rendimento e da natureza da retenção aplicada.

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Passivo
Passivo: as obrigações presentes da empresa que resultarão numa saída de recursos.
Explicação técnica

Distingue-se passivo corrente (a liquidar no curto prazo) e não corrente. Inclui dívidas a fornecedores, ao Estado, ao pessoal e financiamentos obtidos.

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Provisão
Provisão: um passivo de valor ou de vencimento incerto, reconhecido quando existe uma obrigação provável resultante de um acontecimento passado.
Explicação técnica

Distingue-se de um passivo certo pelo grau de incerteza. É reconhecida apenas quando a saída de recursos é provável e o valor pode ser estimado com fiabilidade.

como-interpretar-um-balanco

RCBE
Registo Central do Beneficiário Efetivo: registo onde são identificadas as pessoas que, em última instância, detêm ou controlam a entidade.
Explicação técnica

É obrigatório para a generalidade das entidades e tem de ser atualizado sempre que ocorram alterações aos elementos sujeitos a registo, nos prazos previstos na lei. A falta de atualização está sujeita a sanções.

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Reconciliação bancária
Reconciliação bancária: a conferência entre os movimentos registados na contabilidade e os movimentos efetivos das contas bancárias.
Explicação técnica

Identifica despesas não lançadas, recebimentos em falta e erros de classificação. Sem reconciliação, o balanço perde fiabilidade e os saldos podem induzir decisões erradas.

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Resultado líquido
Resultado líquido: o valor que resta depois de todos os gastos e rendimentos do período, incluindo impostos.
Explicação técnica

É apurado por competência e não corresponde ao saldo de caixa: inclui vendas por receber e gastos já reconhecidos. Pode ser distribuído pelos sócios apenas nos termos da lei e do pacto social.

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Retenção na fonte
Retenção na fonte: o mecanismo pelo qual a entidade que paga um rendimento entrega ao Estado, antecipadamente, parte do imposto devido pelo beneficiário.
Explicação técnica

Pode ter natureza liberatória — esgotando a tributação — ou funcionar como pagamento por conta, obrigando à declaração posterior. Determina, em muitos casos, se existe obrigação declarativa.

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SAF-T
Standard Audit File for Tax Purposes: ficheiro normalizado com os dados de faturação e de contabilidade, submetido por transmissão eletrónica.
Explicação técnica

Permite à Autoridade Tributária consultar a informação de forma estruturada. Um ficheiro incompleto ou inconsistente compromete as declarações seguintes, pelo que o fecho da faturação deve anteceder os prazos.

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SNC
Sistema de Normalização Contabilística: o conjunto de normas que define como se prepara e apresenta a informação financeira em Portugal.
Explicação técnica

Determina os critérios de reconhecimento, mensuração e divulgação aplicáveis às demonstrações financeiras. É o ponto de partida do resultado contabilístico, antes das correções fiscais.

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Tesouraria
Tesouraria: a capacidade de a empresa cumprir os seus compromissos financeiros no momento em que vencem.
Explicação técnica

Depende do ciclo de recebimentos e pagamentos, e não do resultado contabilístico. Uma empresa com lucro pode ter problemas de tesouraria; uma empresa com prejuízo pode ter caixa confortável.

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Tributação autónoma
Tributação autónoma: imposto que incide sobre determinadas despesas, independentemente do resultado da empresa.
Explicação técnica

Aplica-se a encargos com viaturas, despesas de representação, ajudas de custo não documentadas e despesas não documentadas, entre outros. É a razão pela qual uma empresa pode ter imposto a pagar mesmo com prejuízo contabilístico.

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